quarta-feira, 1 de junho de 2016
Como é que o cérebro lê as
palavras?
Resta referir que apesar de estes processos serem divididos numa sequência de três etapas para facilitar o seu entendimento, na realidade estas áreas do cérebro actuam de modo simultâneo e concertado, tal como acontece com as secções de uma orquestra (Shaywitz, 2003).
Com uma abordagem diferente, um outro trabalho digno de relevo é o recentemente desenvolvido por Nicolson & Fawcett, que sugerem a existência de um défice no cerebelo como hipótese explicativa da dislexia (Nicolson & Fawcett, 2000, Beaton, 2002, Bishop, 2002).
De acordo com os autores referidos, o cerebelo é uma estrutura que contém cerca de 50% do total dos neurónios do cérebro, que se situa na parte de trás deste e que faz o interface entre o córtex cerebral e o sistema motor (Nicolson & Fawcett, 2000, Beaton, 2002, Bishop, 2002).
Se por um lado é sabido que o cerebelo está envolvido na aquisição e execução das habilidades motoras, e que geralmente é considerado como um elemento central na automatização das habilidades motoras, por outro lado, trabalhos recentes demonstraram que o cerebelo também está directamente envolvido nas habilidades cognitivas relacionadas com a linguagem (Nicolson & Fawcett, 2000, Beaton, 2002, Bishop, 2002).
Assim, de acordo com a hipótese do défice cerebeloso proposta por Nicolson & Fawcett, alterações na estrutura do cerebelo das pessoas com dislexia originam alguns problemas na automatização das habilidades relacionadas com a linguagem, que originam de um modo directo os padrões de dificuldades dos disléxicos (Nicolson & Fawcett, 2000, Beaton, 2002, Bishop, 2002). Em conclusão, pensamos que independentemente das origens da dislexia, o que é fundamental é pensarmos nas melhores maneiras de ajudarmos estas pessoas a lidarem com essa sua maneira particular de percepcionar e entender os símbolos gráficos.
Tendo em consideração que a maioria das definições sugerem que a dislexia
presumivelmente se deve a alterações no sistema nervoso central, de seguida
faremos uma breve abordagem ao que a literatura refere sobre os diferentes
substratos neurológicos envolvidos na leitura, e suas funções nessa tarefa
complexa.
Foi apoiando-se em trabalhos
como o de Pierre Paul Broca e de Carl Wernicke que em 1979 Norman Geschwind
apresentou um relato preciso do percurso através do córtex cerebral envolvido
na leitura (Posner & Raichle, 2001). Assim, Geschwind sugere a existência
de cinco áreas do córtex com funções diferentes na leitura, (Posner & Raichle,
2001).
A primeira é a área visual
primária, local onde se realiza a percepção da imagem da palavra. Depois, na
circunvolução angular ocorrem as fases iniciais da interpretação da palavra e o
estímulo visual é convertido no seu significado linguístico. A terceira área é
responsável pela compreensão do significado da palavra e é denominada por área
de Wernicke. De seguida, a área de Broca recebe a informação sobre o que se vai
dizer e planeia o tipo de movimentos técnicos necessários à produção da fala.
Por último é do córtex motor que são enviados os comandos nervosos.
Usando técnicas sofisticadas para analisar o cérebro de crianças e adultos,
mais recentemente os investigadores identificaram três regiões de fundamental
importância, que o cérebro usa para analisar as palavras escritas, para
reconhecer os seus sons constituintes e para automatizar o processo de leitura
(Shaywitz, 2003).
Assim, Shaywitz (2003) diz-nos que para ler as pessoas usam três sistemas
cerebrais, todos eles situados no hemisfério esquerdo do cérebro, aquele que é
tradicionalmente associado à linguagem. A primeira área está na parte frontal
do cérebro e é denominada de gírus frontal inferior ou área de Broca. As outras
áreas situam-se na parte de trás do cérebro e são a região parieto-temporal e a
região occipito-temporal, também denominada área de visão das formas das
palavras.
De acordo com Shaywitz (2003), a área frontal inferior esquerda do cérebro
(área de Broca), denominada pela autora de gerador de fonemas, é responsável
pela articulação da linguagem falada, pois esta área do cérebro ajuda as
pessoas a vocalizarem as palavras - em silêncio ou em voz alta. É uma área
especialmente activa no cérebro dos leitores principiantes, pois também realiza
a análise dos fonemas.
Por seu lado, a região parieto-temporal esquerda, denominada de analisador de
palavras, está envolvida na análise e descodificação dos sons das partes das
palavras, pois esta secção do cérebro realiza uma análise mais completa das
palavras escritas. Na realidade, nesta área as palavras são divididas nas
sílabas e fonemas ou as constituem, e as letras são associadas aos sons
apropriados (Shaywitz, 2003).Por último, a região occipito-temporal ou detector automático é o local
onde toda a informação relacionada com as palavras e os sons é combinada, para
que o leitor reconheça e leia a palavra de um modo instantâneo, ou seja, a
tarefa desta parte do cérebro é a de automatizar o processo de reconhecimento
das palavras (Shaywitz, 2003).
Resta referir que apesar de estes processos serem divididos numa sequência de três etapas para facilitar o seu entendimento, na realidade estas áreas do cérebro actuam de modo simultâneo e concertado, tal como acontece com as secções de uma orquestra (Shaywitz, 2003).
Com uma abordagem diferente, um outro trabalho digno de relevo é o recentemente desenvolvido por Nicolson & Fawcett, que sugerem a existência de um défice no cerebelo como hipótese explicativa da dislexia (Nicolson & Fawcett, 2000, Beaton, 2002, Bishop, 2002).
De acordo com os autores referidos, o cerebelo é uma estrutura que contém cerca de 50% do total dos neurónios do cérebro, que se situa na parte de trás deste e que faz o interface entre o córtex cerebral e o sistema motor (Nicolson & Fawcett, 2000, Beaton, 2002, Bishop, 2002).
Se por um lado é sabido que o cerebelo está envolvido na aquisição e execução das habilidades motoras, e que geralmente é considerado como um elemento central na automatização das habilidades motoras, por outro lado, trabalhos recentes demonstraram que o cerebelo também está directamente envolvido nas habilidades cognitivas relacionadas com a linguagem (Nicolson & Fawcett, 2000, Beaton, 2002, Bishop, 2002).
Assim, de acordo com a hipótese do défice cerebeloso proposta por Nicolson & Fawcett, alterações na estrutura do cerebelo das pessoas com dislexia originam alguns problemas na automatização das habilidades relacionadas com a linguagem, que originam de um modo directo os padrões de dificuldades dos disléxicos (Nicolson & Fawcett, 2000, Beaton, 2002, Bishop, 2002). Em conclusão, pensamos que independentemente das origens da dislexia, o que é fundamental é pensarmos nas melhores maneiras de ajudarmos estas pessoas a lidarem com essa sua maneira particular de percepcionar e entender os símbolos gráficos.
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(*) Professor Auxiliar na
Unidade Científico-Pedagógica de Educação Especial e Reabilitação da Faculdade
de Motricidade Humana, Universidade Técnica de Lisboa.
terça-feira, 31 de maio de 2016
CRIANÇAS COM NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS E DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM: DEFINIÇÃO DE DISLEXIA Do ponto de vista etimológi...
CRIANÇAS COM NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS E DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM: DEFINIÇÃO DE DISLEXIA
Do ponto de vista etimológi...: DEFINIÇÃO DE DISLEXIA Do ponto de vista etimológico, o termo dislexia deriva da língua grega, significando “dificuldade com palavras”, ...
Do ponto de vista etimológi...: DEFINIÇÃO DE DISLEXIA Do ponto de vista etimológico, o termo dislexia deriva da língua grega, significando “dificuldade com palavras”, ...
DEFINIÇÃO DE DISLEXIA
Do ponto de vista etimológico, o termo dislexia deriva da língua grega, significando “dificuldade com palavras”, (dys = dificuldade) e (lexis = palavras). Uma revisão pela bibliografia aponta-nos uma grande diversidade de opiniões, quer em relação à noção de dislexia, quer aos critérios usados para classificar eventuais subgrupos de disléxicos.
Grande parte dos autores é unânime ao afirmar que o termo dislexia engloba uma dificuldade na leitura e consequentemente dificuldades de distinção ou memorização de letras ou grupos de letras, problemas de ordenação, ritmo, compreensão e de estruturação das frases afetando tanto a leitura como a escrita
A Associação Internacional de Dislexia, em 20038 , define dislexia como sendo:
“Dislexia é uma incapacidade específica de aprendizagem, de origem neurobiológica. É caracterizada por dificuldades na correção e/ou fluência na leitura de palavras e por baixa competência leitora e ortográfica. Estas dificuldades resultam de um Défice Fonológico, inesperado, em relação às outras capacidades cognitivas e às condições educativas. Secundariamente podem surgir dificuldades de compreensão leitora, experiência de leitura reduzida que pode impedir o desenvolvimento do vocabulário e dos conhecimentos gerais”
domingo, 7 de outubro de 2012
VISÃO ESQUEMÁTICA E SIMPLIFICADA DE MEMÓRIA
A figura representa uma visão esquemática e simplificada de memória e os processos envolvidos em fazer e armazenar uma memória. Como pode ser visto no diagrama, a fabricação de uma memória consiste em vários depósitos de informação, cada qual representando um papel diferente no processo de informação e formação das recordações.
O QUE É NECESSÁRIO SABER PARA MANUSEAMENTO DE UMA CADEIRA DE RODAS
O QUE É NECESSÁRIO SABER PARA MANUSEAMENTO DE UMA CADEIRA DE RODAS
Se a pessoa com deficiência tem força nos braços, ela pode, normalmente, em terreno não inclinado, dirigir a sua própria cadeira. Mas terá necessidade da sua ajuda para subir e descer passeios, escadas, em terrenos inclinados e, eventualmente, para se sentar noutra cadeira.
Regras fundamentais:
a) imobilize a cadeira usando os travões, sempre que pare e sempre que tenha de fazer uma mudança;
b) nunca levante a cadeira pelas partes amovíveis, pois elas podem sair do lugar. Cada cadeira tem as suas particularidades.
Por precaução verifique sempre:
— quais são as partes destacáveis (os braços, os apoios das pernas, o apoio da cabeça);
— se tem uma ou duas manetas de travão, onde a ou as manetas estão situadas e em que posição ela ou elas imobilizam a cadeira de rodas;
— se as rodas pequenas estão situadas à frente ou atrás;
c) recuse as ajudas intempestivas de outras pessoas. Se tiver de recorrer a outras pessoas pergunte primeiro à pessoa com deficiência, deixe que ela dê as suas instruções ou faça-o você, se ela o pedir. Assegure-se de que elas foram compreendidas
COMO AJUDAR UMA PESSOA COM DEFICIÊNCIA EM CADEIRA DE RODAS
COMO AJUDAR UMA PESSOA COM DEFICIÊNCIA EM CADEIRA DE RODAS
Antes de mais, não esqueça: a pessoa com deficiência é uma pessoa. Por vezes, os cidadãos vulgares mascaram o seu sentimento com familiaridades excessivas ou sinais de piedade. Tudo isso é supérfluo. Trate e conviva com a pessoa com deficiência como o faz com qualquer outra pessoa; peça-lhe a opinião sobre a ajuda que pretende dar.
QUANDO ACOMPANHAR UMA PESSOA COM DEFICIÊNCIA OBSERVE AS 10 RECOMENDAÇÕES SEGUINTES:
1. Nunca tome decisões pela pessoa com deficiência, em situações que só a ela dizem respeito.
2. Quando lhe falar, coloque-se de maneira a que a pessoa com deficiência possa participar na conversa, sem ter de virar a cabeça.
3. Sempre que haja muita gente (festas, lojas, restaurantes) avance a cadeira com prudência. A pessoa com deficiência sentir-se-á muito incomodada se magoar as pessoas.
4. Numa loja ou num restaurante deixe a pessoa com deficiência exprimir os seus desejos. Cuidado com este ponto, pois o pessoal tem tendência a dirigir-se a si.
5. Num supermercado você não pode, simultaneamente, empurrar a cadeira de rodas e o carrinho das compras. Peça à pessoa com deficiência para pôr sobre os joelhos uma caixa de cartão para colocar os produtos que comprar.
6. Lembre-se que uma pessoa com deficiência sentada, tem um ângulo de visão diferente. Se você lhe quiser mostrar qualquer coisa, baixe-se para verificar se ela a pode ver.
7. A conversa torna-se difícil para a pessoa com deficiência que tem de levantar e virar a cabeça. Com um pouco de treino, aprenderá a empurrar a cadeira de rodas, mantendo-se ao seu lado (empurrá-la pelo braço), o que é bastante fácil em terreno não inclinado.
8. Ao atravessar as grandes artérias, imagine que é você que está na cadeira, sem quaisquer defesas perante os perigos da circulação. Isto incitá-lo-á a ser muito prudente.
9. Nos terrenos muito inclinados, a pessoa com deficiência está igualmente sem defesa. É um pesadelo sentir que a cadeira vai tomando velocidade, rebocando o guia. Nunca corra.
10.Se uma criança parar para a olhar, pare também. A pessoa com deficiência poderá assim falar-lhe. Os pais, os acompanhantes das pessoas com deficiência, devem encorajar estes encontros e diálogos.
A criança deve satisfazer a sua curiosidade. A pessoa com deficiência não se sentirá incomodada.
LIMITAÇÕES COGNITIVAS, MOTORAS E/OU SENSORIAIS
As limitações cognitivas, motoras e/ou sensoriais apresentadas pelos alunos com multideficiência e com surdocegueira congénita leva-os a beneficiar de menos oportunidades para explorar e interagir com o meio ambiente.
As barreiras colocadas ao seu desenvolvimento, participação e aprendizagem são muito significativas fazendo com que tenham escassas
possibilidades para interagir com pessoas e objectos e para se envolverem nessas interacções, necessitando, frequentemente, de sistemas de apoio adicional e especial que os ajude a participar nas actividades.
Ser capaz de responder adequadamente à diversidade das necessidades educativas destes alunos implica implementar respostas educativas que os ajudem a participar o mais activamente possível nas aprendizagens e a sentirem-se aceites no grupo de pares e na comunidade a que pertencem. As respostas educativas têm de ser analisadas à luz das suas capacidades, necessidades e motivações, dos desejos dos pais e das condições existentes nos contextos educativos.
sábado, 6 de outubro de 2012
Unidades Especializadas em Multideficiência e Surdocegueira Congénita
O que são:
As unidades especializadas são um recurso pedagógico especializado dos estabelecimentos de ensino regular do ensino básico, constituindose como uma resposta educativa diferenciada que visa apoiar a educação dos alunos com multideficiência e com surdocegueira congénita, fornecendo-lhes meios e recursos diversificados.
Com esta resposta educativa procura-se que os alunos tenham acesso a informação que os ajude a realizar aprendizagens significativas e possam participar em actividades desenvolvidas com os seus pares sem necessidades especiais.
CURRÍCULO
O currículo como
conceito aberto necessita de uma base comum de diálogo e discussão, a todos os que sobre ele se
debruçam e que, necessariamente, evidenciam um conjunto de relações que se
estabelecem no seio do campo curricular – “do currículo com a sociedade e seus
valores inerentes e ainda com as concepções de homem, mundo e informação” Pacheco,
J. (2001:18) - e que ajudam a
compreender a complexidade que o caracteriza.
Em relação ao
conceito do currículo, pode-se dizer que “o currículo é sempre uma solução,
ainda que provisória e discutível no seu valor e nas suas formas de expressão, para um determinado problema
educativo”. Morgado, J. (2000:32).
No contexto
educativo português também se verificaram grandes mudanças, sobretudo nas
últimas três décadas, em particular no que ao percurso do currículo diz
respeito. De acordo com Leite, C. (2003), a
orientação curricular, em vésperas de Abril de 1974, assentava
num paradigma tradicional
de racionalismo académico,
onde a organização do
currículo se centrava
nas disciplinas,
com uma orientação multidisciplinar. O papel da
escola e dos professores era, fundamentalmente, transmitir saberes e preparar
os alunos para a vida futura.
Nos primeiros
tempos após a revolução de 74, começa a emergir um paradigma pedagógico de
índole humanista/social, que, a par de um paradigma técnico, permite o domínio
da didáctica geral, baseada numa relação triangular entre objectivos, conteúdos
e métodos. A organização do currículo, embora continuando centrada nas
disciplinas, não foi impeditiva
de que estimulasse
um maior recurso
a práticas de
pluri e interdisciplinaridade. O
papel do professor, mais do que transmitir, seria o de romper com a concepção de
educação bancária que predominava na altura, sem deixar de contribuir para uma efectiva inserção dos alunos na sociedade.
No período de
normalização, que emerge nos anos 80, continua a imperar um paradigma técnico,
com recurso a processos de planificação detalhados e estruturados em torno de objectivos específicos, enquanto que em
termos de organização do currículo se estimula a dialéctica entre tradição e
modernidade. Nesta perspectiva o professor continua a assumir-se como um
técnico, isto é, como um consumidor de
currículo, recorrendo a procedimentos que favorecem a aprendizagem dos
conteúdos dos programas escolares.
Nos anos 90,
assiste-se ao reconhecimento da inadequação de um currículo construído apenas em
função de um aluno médio e à necessidade de definir um currículo nacional
flexível, com possibilidade de territorialização local. A escola passa a ser
vista como um local de tomadas de
decisão, e não apenas de implementação de decisões externas, e o
professor como um professor-investigador e/ou um professor reflexivo, isto é,
como um “professor configurador do currículo”, de forma a contribuir para
adaptar as prescrições nacionais às realidades locais.
Contudo, em
termos de decisões,
nem sempre as
pretensas mudanças de conceções paradigmáticas e de papéis do
professor e da escola se verificaram ao nível das práticas. Aquilo que é
prescrito no contexto político/administrativo, principalmente no que se refere
ao pensamento e à acção do professor, muitas vezes não produz efeitos no
contexto de realização. É por isso que Roldão,
M. (1999a:21) considera que currículo é “aquilo que os
professores fizerem dele”
Para fazer face ao
elevado número elevado de definições propostas e para melhor clarificar a noção de currículo, a mesma autora (Roldão,
M. 1999a:43) define-o como sendo um “conjunto de aprendizagens consideradas
necessárias num dado contexto e tempo e à organização e sequência adotadas para o concretizar ou desenvolver”.
A expressão
desenvolvimento curricular é “utilizada para expressar uma prática, dinâmica e
complexa, que se processa em diversos momentos e em diferentes fases, de modo a
formar um conjunto estruturado,
integrando quatro componentes principais: justificação teórica,
elaboração/planeamento, operacionalização e avaliação”. Pacheco, J. (2001:25).
Ribeiro, A. (1990:6), e numa
perspectiva mais abrangente,
o desenvolvimento curricular é um processo contínuo que compreende
diferentes fases, desde a justificação do currículo até à sua avaliação, passando
necessariamente pela conceção – elaboração e de implementação. Por outro lado,
e num ponto de vista mais restrito, o desenvolvimento curricular
“identificar-se-ia apenas com a construção (isto é, desenvolvimento) do plano
curricular, tendo presente o contexto e justificação que o suportam, bem
como as condições
da sua execução”
para se seguir
“a fase da implementação dos planos
e programas na
situação concreta de
ensino e, concomitantemente, o
processo de avaliação da respetiva execução”.
Mais recentemente,
a noção que tem vindo a prevalecer corresponde à perspetiva mais abrangente, em que o desenvolvimento curricular
é visto como um processo “complexo e dinâmico que equivale a uma (re)construção
de tomada de decisões de modo a estabelecer-se, na base de princípios
concretos, uma ponte entre a intenção e a realidade, ou melhor, entre o projeto
sócio/educativo e o projeto didático. Pacheco, J. (2001).
Neste sentido, o
desenvolvimento curricular requer diferentes momentos de planeamento,
realização e avaliação, que relacionados entre si constituem uma prática ativa
e suscetível de ser considerada sob diferentes pontos de vista. Esta relação da
intenção com a prática deve ser vista
como base para a definição de currículo, sem prejuízo de ser questionada
como os pontos de partida e de chegada do desenvolvimento curricular.
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