segunda-feira, 10 de janeiro de 2011


INCLUSÃO E PRÁTICAS EDUCATIVAS DO DOCENTE. 

Situando-se os docentes na mediação entre os normativos legais e as práticas escolares, estes são actores privilegiados no processo educativo de todos os alunos, em especial quando nos referimos a alunos com dificuldades de aprendizagem e/ou problemas de comportamento, tendo em conta as problemáticas que estas situações escolares colocam. As percepções, as crenças, as expectativas, enfim as atitudes dos docentes têm uma importância fundamental na implementação da mudança para o sucesso da Inclusão Educativa. 

Assim, é amplamente reconhecido que, embora a Inclusão Educativa possa ser imposta por lei, tal não resulta, porque o modo como o docente responde às necessidades dos seus alunos é, sem dúvida, uma variável muito mais poderosa para determinar o êxito da integração do que qualquer estratégia administrativa ou curricular.

Com o paradigma, emergente, da Escola Inclusiva, os docentes enfrentam situações que, certamente implicam mudanças a todos os níveis, sobretudo nas práticas educativas. As mudanças com vista à reestruturação e diversificação das formas de apoio educativo e a implementação de novos modelos pedagógicos de cooperação.

PERSPECTIVA EVOLUTIVA DA INCLUSÃO

POR MANUEL FERREIRA

PERSPECTIVA EVOLUTIVA DA INCLUSÃO


Ao longo dos tempos até à época actual, o conceito de NEE, evidenciou-se ao ser utilizado no Warnock Report, em Maio de 1978. Esta designação, segundo (WARNOCK, 1978:37) ocorre permanente não “em termos de uma dificuldade particular da criança, mas em relação a tudo sobre ela, capacidades, incapacidades e todos os factos importantes no progresso educativo”

O movimento humanista e social, em Portugal, segundo (CORREIA L. M., 2008:20) “pretende que o aluno com NEE, seja qual for a severidade da sua problemática, participe em todos os aspectos da vida escolar, sendo a classe regular a modalidade de atendimento primeira a considerar”. Na continuidade deste pensamento, a escola, terá de se afastar de modelos de ensino aprendizagem centrados no currículo, passando a dar relevo a modelos centrados nos alunos, em que a construção do ensino tenha por base as necessidades e características singulares.

O conceito de educação inclusiva tem-se alterado e assume hoje, uma filosofia no processo de educação, principalmente dos alunos com Necessidades Educativas Especiais, em alguns princípios, dos quais se destacam, conforme (CORREIA L. M., 2008:16), que “todos os alunos, independentemente da sua raça, condição linguística ou económica, sexo, orientação sexual, idade, capacidades de aprendizagem, estilos de aprendizagem, etnia, cultura e religião, têm direito a ser educados em ambientes inclusivos; todos os alunos são capazes de aprender e de contribuir para a sociedade onde estão inseridos; todos os alunos devem ter oportunidades iguais de acesso a serviços de apoio especializados, quando deles necessitarem, que se traduzam em práticas educativas ajustadas às suas capacidades e necessidades; todos os alunos devem ter a oportunidade de trabalhar em grupo e de participar em actividades extra-escolares e em eventos comunitários, sociais e recreativos e todos os alunos devem ser ensinados a apreciar as diferenças e similaridades do ser humano”

Assim, estamos perante escola inclusiva quando a criança ou jovem que se sinta protegido e seguro, possa entregar à descoberta e participação, nas vertentes cognitiva e social.

DESENVOLVIMENTO PENSAMENTO MORAL

POR MANUEL FERREIRA
O desenvolvimento do pensamento moral, a dimensão moral do desenvolvimento psicólogico,  refere-se ao respeito, por parte do indíviduo, pelas regras sociais e ao desenvolvimento do sentido de justiça no sentido da reciprocidade e da igualdade, que segundo  (PIAGET, 1932), conceptualizou o desenvolvimento moral segundo dois tipos de pensamento, a moral heterónoma e a moral autónoma.
A moral heterónoma é determinada pelas suas consequências materiais, independentemente das intenções. O comportamento “bom”, do ponto vista moral é o que está conforme as regras estabelecidas pela autoridade adulta e que não envolve a punição. O realismo moral reporta-se à concepção de que os deveres e os valores, que a eles se referem, emanam dos adultos e que se impõem de forma obrigatória independentemente das circunstâncias.
A moral autonoma a partir dos 6/7 anos de idade, é a moral da cooperação entre diferentes intervenientes sociais e da reciprocidade daí decorrente. O indívidudo faz suas as regras morais que interioriza e cuja necessidade compreende. Admite que elas são mutáveis em função das necessidades humanas e do contexto. A moral autonoma baseia-se no respeito mútuo e não no respeito unilateral. A justiça atinge um estatuto autonómo baseado na reciprocidade e na equidade.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

UE ratifica convenção da ONU sobre direitos dos deficientes

06 Jan 20110 ComentáriosLusa 
A União Europeia (UE) ratificou a convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, depois de a ter assinado em 2007, tornando-se assim na primeira organização internacional a tornar-se parte da convenção.
Em comunicado, disponível no site da Comissão Europeia em Portugal, é revelado que «na sequência da ratificação formal, a União Europeia tornou-se pela primeira vez parte de um tratado dos direitos humanos – a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência».

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Dimensões da moralidade



As dimensões da moralidade são de ordem social, sociológica, antropológica, filosófica, psicológica, entre outras. Numa tentativa de dar conta desta complexidade, (REST, 1986) conceptualiza o desenvolvimento moral, segundo um modelo de quatro dimensões, que correspondem a quatro processos psicológicos básicos: a interpretação da situação; a capacidade para definir a acção moralmente correcta; a priorização dos valores morais sobre os pessoais; a capacidade para passar da intenção à acção.
A fim de clarificar estas dimensões (KOHLBERG, 1972) enfatiza o papel da sociedade no desenvolvimento moral. Acentua processos sociais de transmissão cultural e explica o desenvolvimento por processos de aprendizagem ambiental, a partir da observação de modelos disponíveis nos contextos de socialização.
Mais tarde  (KOHLBERG, 1984a) acentua, que o desenvolvimento moral influência também o desenvolvimento cognitivo, no sentido em que o pensamento lógico se torna mais crítico, adquirindo um novo conteúdo e um significado mais lato perante a capacidade progressiva de juízo moral.

DESENVOLVIMENTO MORAL



O desenvolvimento moral abrange inúmeras ramificações, pode perceber-se no campo da Psicologia um interesse crescente pelo desenvolvimento moral e pelo estudo do julgamento moral, em especial depois da publicação dos trabalhos de Piaget (1932) e Kohlberg (1958, 1966, 1968 ... ).
Kohlberg dedicou-se ao estudo do desenvolvimento moral, redefinindo os estágios de julgamento moral propostos por Piaget (1932).
Piaget preocupou-se com o aspecto específico do julgamento moral e com os processos cognitivos subjacentes a ele. Estudou o desenvolvimento moral e definiu estágios através de entrevistas e observação de crianças em jogos de regras.
Na sua essência, o desenvolvimento psicológico moral diz respeito ao processo de progressiva complexidade do raciocínio subjacente ao juízo entre o bem/mal, justo/injusto.
No desenvolvimento moral, não se pode deixar considerar a complexidade e pluridimensionalidade de aspectos que envolvem o raciocínio, o julgamento, a valorização, a preferência ou rejeição, a orientação para acção, entre outros.
O desenvolvimento moral está associado à resolução, adequação das tarefas do desenvolvimento pessoal, influenciando ainda o sucesso (ou insucesso) e a vida em geral, à capacidade de resolução de um problema moral e à sua solução em termos de consonância com o princípio da justiça.
Estes pressupostos sustentaram as críticas à teoria de Kohlberg sobre a universalidade dos estádios; tais como: acusação de elitismo; ignorância da especificidade do desenvolvimento moral das mulheres; desvalorização do papel da emoção e do hábito no processo de desenvolvimento moral.

POR MANUEL FERREIRA  - 29-12-2010


Ler é o melhor tratamento

O atraso na aquisição da linguagem no início da infância pode ser um primeiro sinal de alerta para possíveis problemas de linguagem e de leitura. Mais tarde, quando a criança começa a falar, surgem as dificuldades de pronúncia: frases curtas e palavras mal pronunciadas, com omissões e substituições de sílabas e fonemas.
A memorização de canções e lengalengas é igualmente difícil. Já em idade escolar, as crianças têm um progresso muito lento na aprendizagem da leitura e ortografia. O discurso é pouco fluente, com pausas e hesitações, a escrita é irregular e a ortografia é desastrosa.
Aprender a ler e a escrever é relativamente fácil para a maioria das pessoas. Contudo, para os disléxicos, esta aprendizagem é mais complicada. Embora possuindo um nível de inteligência médio ou superior, crianças, jovens e até mesmo adultos são frequentemente adjectivados de "burros" ou "preguiçosos", graças a uma sociedade que cruza os braços e espera que o problema se resolva. Mas a dislexia não é uma perturbação que aparece na idade escolar e desaparece na vida adulta: passa de pais para filhos e é um "fardo" que se tem de carregar por toda a vida. A intervenção precoce é fundamental, uma vez que ajuda a minimizar as manifestações da dislexia.
Em Portugal, o tratamento da desta perturbação tornou-se um negócio. Diariamente, surgem novos produtos e fórmulas que prometem soluções definitivas para a dislexia. Uma falsa esperança para os pais, que agem em prol do bem--estar dos filhos. E, por outro lado, uma fonte de rendimento para as empresas que divulgam esses produtos. Lentes prismáticas, palmilhas, sapatos e colchões ortopédicos, programas de treino psicomotor, a utilização de leitoris (para apoiar livros) ou apoios para os pés e, mais recentemente, meias, não curam a dislexia. Este problema não tem na sua origem um défice visual ou problemas psicomotores e posturais.
A leitura é o melhor tratamento para a dislexia, cujas manifestações variam de pessoa para pessoa, consoante o grau de severidade, de precocidade e a eficiência da intervenção. Vulgarmente definida como uma perturbação a nível da leitura e da escrita, a dislexia, quando não tem uma intervenção atempada e eficiente, pode afectar a auto-estima, a autoconfiança, a motivação em relação à aprendizagem e, consequentemente, conduzir ao abandono escolar.
DISLEXIA TRATADA NA UNIVERSIDADE
A Universidade de Trás-os--Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real, é a única universidade portuguesa a dispor de uma unidade de diagnóstico e tratamento da dislexia. Esta unidade, criada em 2005 por ‘teimosia' da professora e investigadora Ana Paula Vale, recebe crianças provenientes de todo o País, que têm à disposição dois psicólogos a tempo inteiro. Os programas de intervenção são feitos especificamente para cada caso.
"HÁ LACUNAS NO ENSINO": Paula Teles, Psicóloga Educacional, especialista em dislexia
Correio da Manhã - Quais os défices associados à dislexia?
Paula Teles - Há um défice fonológico, ou seja, dificuldade na identificação e discriminação dos sons da linguagem oral. Paralelamente, existe um défice de atenção, da memória de trabalho e visual e também ao nível da automatização.
- Os professores sabem lidar com alunos disléxicos?
- Não. Há uma grande lacuna nas universidades a este nível. Os professores precisam de ter consciência de que a percentagem de crianças com dificuldade de leitura é elevada. Essas dificuldades são visíveis logo no 1.º ano de escolaridade
- Como devem ser ensinadas?
- O professor deve fazer trabalhos específicos e sistemáticos com cada criança, com leitura, ortografia e caligrafia. Há diferentes tipos de dificuldade e graus de aprendizagem.
"SEMPRE SOUBE QUE IA FICAR BOA"
Bruna Francisco, de nove anos, herdou a dislexia do pai, Miguel Francisco, de 36 anos. Tendo em conta a sua experiência enquanto disléxico, o primeiro pensamento de Miguel foi: "A minha filha está tramada." No entanto, os receios em relação ao futuro da criança não se concretizaram.
Os pais foram alertados pela professora, mas já desconfiavam que algo se passava. "A Bruna tinha muita dificuldade em ler, andava desmotivada e evitava a leitura. Tinha boas notas a todas as disciplinas, menos a Português", explicou Miguel. Bruna tinha sete anos quando soube que era disléxica. Lia apenas sete palavras por minuto. "Fiquei abalada mas sempre soube que ia ficar boa." E a prova foi superada. Actualmente, graças aos intensos exercícios de leitura e ortografia, Bruna frequenta o 4º ano de escolaridade e tem um nível de leitura equiparado ao 5º ano. O esforço e a dedicação de Bruna também contribuíram para o êxito de mais uma batalha contra a dislexia. E o pai comprova. "Um dia, quando ia no carro, começou a ler as placas com os nomes das cidades", recorda Miguel.
Em casa, Bruna ajuda o pai a minimizar os efeitos da dislexia. Na escola, conta com o apoio dos co-legas - alguns deles também sofrem desta perturbação. Contrariamente ao que acontece com muitas crianças, incompreendidas pelos colegas de turma e também pelos professores, Bruna nunca foi alvo de troça ou posta de parte. "Os meus colegas gostavam de mim e brincavam comigo", garante. Abandonar os estudos, como acontece com muitos disléxicos, desmotivados pelas barreiras linguísticas impostas pelo seu problema, não está nos planos da menina. A disciplina preferida é o Português e, quando crescer, quer ser farmacêutica.
PERFIL
Bruna Francisco descobriu aos sete anos que sofria de dislexia. Agora tem 9 anos e, no 4.º ano, tem um nível de leitura equiparado ao do quinto ano.

PIOR ABANDONO ESCOLAR DA OCDE
Entre os 30 países que são membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Portugal é o que regista a maior taxa de abandono escolar. De acordo com dados da OCDE relativos a 2007, apenas 73% dos portugueses tinham completado o ensino obrigatório. Em 1998, os números eram bem mais negros: a taxa de abandono escolar ascendia aos 82%.
De acordo com a avaliação da OCDE, a ‘medalha de ouro' vai para a República Checa, com apenas nove por cento de abandono escolar, seguida dos EUA (12 por cento) e do Canadá (13 por cento).