segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Lagos acolhe V Jornadas da Deficiência
Até ao próximo dia 3 de dezembro, vão decorrer em Lagos as V Jornadas da Deficiência, cujos principais objetivos são “informar e sensibilizar a comunidade para a temática da deficiência”.
“Esta é mais uma forma de contribuir para uma melhor integração das pessoas com deficiência na sociedade, eliminando ou reduzindo muitos dos preconceitos existentes”, adianta a organização, a cargo da Câmara de Lagos, Núcleo de Educação da Criança Inadaptada (NECI), do Centro de Assistência Social Lucinda Anino dos Santos (CASLAS) e Casa de Santo Amaro.
As jornadas vão contemplar diversas iniciativas nas áreas da educação, desporto e informação, nomeadamente o seminário “Boas Práticas de Intervenção na Deficiência”, visionamento de filmes, exposição de trabalhos artísticos e diversas atividades pedagógicas.
Programa:Até 3 de dezembro
Exposição de Pintura UNTITLE cedida pela ANACED (Associação Nacional de Arte e Criatividade de e para Pessoas com Deficiência)
Local: Átrio do Edifício dos Paços do Concelho Séc. XXI | C.M Lagos
Horário: Segunda a Sexta | 9h00 às 17h00
Dias 29 e 30 novembro | 9h00 às 17h30
Seminário “Boas Práticas de Intervenção na Deficiência”
Local: Auditório dos Paços do Concelho Séc. XXI
Dia 30 novembro | 10h15 às 12h00
Atividades de Desporto Adaptado dirigidas aos utentes da NECI e CASLAS/Casa de Santo Amaro
Local: Piscinas Municipais
Dia 30 novembro | 21h00
Sessão de Cinema com “Corrigindo Beethoven”, de Agnieska Holland, M12
Local: Biblioteca Municipal de Lagos
Dia 2 dezembro | 10h às 12h e 14h às 16h
Atividades de Desporto Adaptado dirigidas aos utentes da NECI e CASLAS/Casa de Santo Amaro e outras instituições regionais
Local: Piscinas Municipais (manhã) e Pavilhão Municipal de Lagos (tarde)
Dia 2 dezembro | 21h00
Sessão de Cinema: “Dancer in the Dark”
Local: Biblioteca Municipal de Lagos
Dia 3 dezembro | 12h30
Dia Internacional da Pessoa com Deficiência
Almoço convívio para os utentes da NECI e CASLAS/Casa de Santo Amaro
Dia 3 dezembro | 21h00
Sessão de Cinema: “Filhos de um Deus Menor”
Local: Biblioteca Municipal de Lagos
Dia Internacional das Pessoas com Deficiência no Concelho Santa Maria Feira
Para assinalar o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, o Município de Santa Maria da Feira e a Provedoria Municipal dos Cidadãos com Deficiência promovem um conjunto de actividades entre 1 e 22 de Dezembro, com a colaboração de várias escolas e instituições do Concelho. Destaque para o seminário “Cidade de Todos e Para Todos”, a realizar no dia 3 de Dezembro, a partir das 14h00, no auditório do Museu Convento dos Lóios.
Com esta iniciativa pretende-se sensibilizar a comunidade para a adopção de comportamentos inclusivos, que eliminem barreiras e alterem mentalidades.
No seminário “Cidade de Todos e Para Todos” será exibido um vídeo alusivo às diversas práticas de intervenção ao nível das acessibilidades e das actividades de sensibilização para a deficiência desenvolvidas no Concelho. Posteriormente, serão apresentados os pontos negros já eliminados e as boas práticas realizadas no município, bem como estudos realizados pela Provedoria Municipal dos Cidadãos com Deficiência. No decurso deste encontro será entregue ao Município de Santa Maria da Feira a Bandeira de Ouro da APPLA – Associação Portuguesa de Planeadores do Território.
Para além deste seminário, o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência (3 de Dezembro) será marcado pela realização de várias actividades educativas e desportivas, nomeadamente: torneio de boccia e circuito de actividades desportivas, na EB 2.3 de Arrifana; exposição de trabalhos alusivos à deficiência, na EB 2.3 de Corga de Lobão; jogos de expressão motora e plástica, nos jardins-de-infância e EB1 do Agrupamento de Escolas de Corga de Lobão; exibição de filmes de língua gestual portuguesa, na EB 1 do Cavaco; peça de teatro “As Estações do Ano”, na EB 2.3 de Fiães; exercício “Simulando as diferenças”, nas escolas do 1º Ciclo de Casalmeão, Sobral e Igreja (Lourosa); palestra “Inclusão de crianças com deficiência”, na EB1 / Jardim-de-Infância de Beire (S. João de Ver); e acção “Laços para a Segurança”, promovida pela PSP de S. João da Madeira, organizada pela CerciLamas e CerciFeira.
De 1 a 22 de Dezembro, a Loja de Natal da Liga dos Amigos do Hospital S. Sebastião estará aberta ao público na Rua António F. Soares, em Santa Maria da Feira. No dia 4, a Feira Viva Desporto Adaptado promove um jogo de boccia, das 14h00 às 17h30, no Pavilhão de Fiães; no dia 5, pelas 11h00, a APN - Associação Portuguesa de Doentes Neuromusculares apresenta o projecto “Dê força a esta causa”, nas antigas instalações do Hospital de S. Paio de Oleiros; no dia 6, das 09h00 às 18h00, decorre na Escola Secundária de Santa Maria da Feira uma exposição/venda de artigos artesanais produzidos pelos alunos e, nas EB1 do Agrupamento de Escolas de Canedo, decorrem actividades variadas a realizar pelos alunos. De 6 a 8 de Dezembro, no Patronato de Santa Maria de Lamas, vai estar aberta ao público a “Loja R”, das 10h00 às 13h00, numa iniciativa da CerciLamas. No dia 8, o grande auditório do Europarque será palco da Festa de Natal para Pessoas Portadoras de Deficiência, organizada pela Câmara Municipal. No dia 9, pelas 15h00, terá início uma mega aula de hidroginástica, na Piscina Municipal de Fiães, promovida pela Feira Viva, Desporto Adaptado. A 10 de Dezembro, pelas 21h30, a Academia de Dança da professora Ana Monteiro sobe ao palco do auditório de Santa Maria de Lamas com um espectáculo de dança.
Primeiro aluno a tirar curso com teleaulas quer abrir portas
David Varela sofre de uma doença que o impossibilita de ir ao ISCTE e beneficia de tecnologia avançada para tirar o curso. O objectivo é levar esta possibilidade a outras pessoas
Aos 24 anos, David Varela é o primeiro aluno do ensino superior a ter teleaulas. Porque sofre de uma doença neuromuscular progressiva e severa, que lhe tira a mobilidade, não pode deslocar-se à faculdade. Mas este problema grave não o impediu de se candidatar ao curso de Sociologia no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). No ano passado, assistiu às aulas via Skype, mas este ano recebeu apoio da Fundação PT e obteve tecnologia mais avançada.
"Foi uma aventura", conta, entre risos, deitado no sofá da sua sala e com o computador junto ao rosto. "Como não sou de desistir facilmente, candidatei-me, mesmo sabendo que o ensino superior não disponibilizava condições a alunos como eu", acrescenta. No ensino secundário, David já usufruiu desta tecnologia da PT, mas a "grande vitória" foi conseguir estendê-la ao superior. Para que, tal como ele, outras pessoas com deficiência não abdiquem do sonho de tirar um curso. "E muitos Davids, que no fim do secundário possam vir atrás. Abrir portas a outros foi sempre o meu objectivo pessoal."
Da sua sala, David vê o quadro, a turma e o professor. "Sinto mesmo que estou dentro da sala", explica, mostrando no monitor as facilidades do sistema: receber ficheiros, falar à distância e manipular a câmara da parede da sala, apontando-a para onde quiser.
Em casa, David sente-se sozinho por não ter os colegas para conviver. Ele que "gosta tanto de festas", admite. Mas há vantagens em não ter de vir do Barreiro até Lisboa, sublinha com um sorriso optimista. "Levanto-me 15 minutos antes da aula começar e nunca apanho trânsito."
A tecnologia está a funcionar há poucos dias, mas tanto alunos como docentes já se habituaram à presença de David e a superar falhas que possam ocorrer na comunicação. "Ele é participativo mas prefere tirar dúvidas no final da aula, por e-mail ou Skype", diz a professora Madalena Ramos. A sala está reservada para a turma, para poderem fazer trabalhos de grupo em videoconferência.
Este ano, David já veio ao ISCTE apresentar um trabalho e praxar os caloiros. "Ele está muito bem integrado. Encontrou aqui laços de amizade", diz Andreia, amiga e colega que o acompanha desde 2009. "Ainda havia muitos tabus, porque as pessoas não sabiam como agir. Mas como costumo dizer, ele só tem um problema: precisa que alguém lhe empurre a cadeira de rodas."
Quebrar preconceitos é o lema de David, que quando for sociólogo quer investigar o ramo do associativismo. "Sou muito empenhado na luta dos 'meus'. Para a sociedade nos aceitar, temos de sair de casa. Pois olhos que não vêem são como coração que não sente."
domingo, 28 de novembro de 2010
EDUCAÇÃO INCLUSIVA
O conceito de Inclusão está associado ao conceito de Escola Inclusiva que (PORTER, 1994, cit. por JESUS & MARTINS, 2000:21) define como sendo "um sistema de educação e ensino onde os alunos com Necessidades Educativas Especiais, incluindo os alunos com deficiência, são educados na escola do bairro, em ambientes de salas de aula, apropriadas para a sua idade (cronológica), com colegas que não têm deficiências e onde lhes são oferecidos ensino e apoio de acordo com as suas capacidades e necessidades individuais".
Na opinião de (MARQUES, 2000) a Escola Inclusiva é um conceito "que designa um programa educativo escolar em que o planeamento é realizado tendo em consideração o sucesso de todas as crianças, independentemente dos seus estilos cognitivos, dificuldades de aprendizagem, etnia ou classe social", pelo que se torna necessário instituir uma metodologia cooperativa, isto é, aceitar as diferenças e responder às suas necessidades individuais.
POR MANUEL FERREIRA
sábado, 27 de novembro de 2010
MEDIDAS LEGISLATIVAS NA ÁREA DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NO REGIME AUTOCRÁTICO.
O regime autocrático ao longo da sua vigência teve uma politica contida em relação a educação especial, assim em 1930 foram incorporadas nas escolas primárias de Lisboa, classes especial para alunos retardados.
Com a introdução do Decreto-lei n.º. 31:801, de 26 de Dezembro de 1941 estipulou que as crianças que se suspeitasse da existência de anormalidades a possibilidade de serem apoiadas em consultas externas.
Mais tarde, através da regulamentação pelo Decreto n.º 32:607, de 30 de Novembro de 1942, é criado o Curso do Magistério Especial para crianças ditas “Anormais”.
No ano de 1946, define-se a criação e funcionamento de classes especiais de crianças ditas “anormais” nas escolas primárias. Em 1952 foram dispensados do ensino primário “os menores incapazes por doença ou por defeito orgânico ou mental”, excepto se existissem classes especiais para doentes ou anormais, a menos de três quilómetros.
Com a criação, em 1958, o Instituto de Assistência Psiquiátrica, foi definido as competências e o enquadramento e apoio primário, hospitalar e dos estabelecimentos de recolhimento a nível nacional para os doentes mentais.
A Associação Portuguesa de Pais e Amigos de Crianças Mongolóides (APPACM), foi criada em Fevereiro de 1962. Posteriormente teria a designação de Associação Portuguesa de Pais e Amigos das Crianças Diminuídas Mentais (APPACDM).
O Instituto Aurélio da Costa Ferreira o Curso de Especialização de Professores de Crianças Inadaptadas, em 1964, através do Decreto-Lei n.º 45:832, de 25 de Julho, destinado à preparação de docentes e outros agentes de ensino de crianças inadaptadas.
Lei de Bases da Reabilitação e Integração de Deficientes n.º 6/7, de 8 de Novembro, de 1971, promulga as bases relativas à reabilitação e integração social de indivíduos deficientes. Em 1972, o Ministério da Educação cria as Divisões do Ensino Especial do Básico e do Secundário (DEEB/DEES).
Em termos de Educação Especial, com a Lei nº. 5/73, de 25 de Julho, a mesma suscitou um avanço, o Ministério da Educação passou a tutelar a educação de crianças deficientes. Em 1973, surge a Associação de Pais para a Educação de Crianças Deficientes Auditivas (APECDA).
Em 25 de Setembro de 1973, é promulgado o Decreto-Lei n.º 474/73, que cria na Presidência do Conselho a Comissão Permanente de Reabilitação, que tem como funções: “coordenar os princípios e métodos da reabilitação médica e formação profissional, bem como da educação especial de deficientes”
Mães da Lousã reclamam apoio a deficientes
A determinação dos pais das crianças da Lousã que têm necessidades educativas especiais (nee) começa a abrir portas. O objetivo é que seja reposto o quadro de pessoal, nomeadamente no que diz respeito ao número de técnicos especializados para lidar com este tipo de alunos nas escolas.
A jogar em dois tabuleiros, os encarregados da educação conseguiram estabelecer, numa mesma semana passada, uma ponte para a Assembleia da República, através de uma reunião com o deputado do Bloco de Esquerda, José Miguel Beleza, e com o próprio Governo, num encontro em Lisboa com o adjunto da Secretária de Estada da Reabilitação.
O desinvestimento na educação especial em resultado de corte financeiros tem, no concelho da Lousã, “contornos específicos, dado o elevado número de alunos sinalizados e a retirada do financiamento do estado às auxiliares pedagógicas da ARCIL (Associação de Reabilitação dos Cidadãos Inadaptados), refere uma das mães, Maria da luz Nogueira.
Sem respostas imediatas, de Lisboa, o grupo de mães trouxe aquilo que consideraram “a abertura da Secretaria de Estado da Reabilitação para colaborar com a comissão ao longo do corrente ano lectivo a fim de haver lugar a um lançamento do próximo ano escolar em tempo e condições idênticas para todos os alunos”.
Quanto ao encontro com o deputado do BE eleito por Coimbra, resultou, como o próprio garantiu, num compromisso para a “criação de condições políticas e financeiras para assegurar a sua continuidade, lamentando a lógica cega de poupança, que corta no investimento das funções sociais do Estado”.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
RESENHA HISTÓRICA DEFICIÊNCIA
Nas sociedades primitivas, o pensamento social em relação à deficiência era caracterizado como mágico – religioso, concebia a diferença como uma ameaça, sendo o indivíduo portador de deficiência “olhado” com superstição de malignidade.
Na idade antiga, a sociedade espartana, por possuir uma cultura de culto ao corpo, reconhecia como legítimo o extermínio dos deficientes, já que não admitia a sua condição humana.
Para os Egípcios a deficiência era indiciadora e portadora de benesses e, por isso, divinizava-se.
Para os Romanos e Gregos pressagiava males futuros, os quais se afastavam abandonando as crianças com deficiência.
Ao longo da história tem-se verificado, segundo Correia (1999), posições políticas extremas de exclusão social, levadas a efeito na Antiga Grécia, onde as pessoas com deficiência eram condenadas à morte, não admitindo a sua existência. Segundo Fernandes (2002) são condições de natureza pragmática e religioso que estão na base deste extermínio
Na Idade Média a sociedade era dominada pela religião e pelo divino, pensava-se que a deficiência provinha das forças demoníacas. As pessoas físicas ou mentalmente diferentes eram associadas à imagem do diabo e a actos de feitiçaria.
Esta concepção muda com o Cristianismo, a Igreja tem um papel determinante na evolução social. De acordo com Fernandes (2002), existe uma atitude orientada para o proteccionismo, sendo a percepção dominante a obtenção de graças de Deus, trata-se bem os deficientes.
Com a expansão do cristianismo, a sobrevivência das pessoas com deficiência foi garantida pela caridade. De acordo com Pessotti (1984), os deficientes deixaram de ser abandonados ou eliminados, já que receberam o status de “humanos”, provenientes de “Deus”, agraciados por terem uma “alma”.
Mais tarde com o Renascimento emergem diferentes perspectivas ideológicas que vão reflectir-se nos conceitos de deficiência e na intervenção a ter em relação a elas.
A perspectiva meramente assitencial dá lugar a uma concepção diferente de deficiência, em que o social pode ser rentabilizado, tornando-se produtiva. A perspectiva de deficiente enquanto ser susceptível de treino e educação passou a ter carácter utilitário, no sentido de desenvolver actividades.
Esta consciencialização de carácter utilitário do deficiente pela sociedade, permitiram do ponto de vista educativo e social, olhar para os direitos das pessoas com deficiência.
Assim, surge o conceito de normalização, segundo Wolfensberger (1972), reconhece às pessoas com deficiência os mesmos direitos de outros cidadãos do mesmo grupo etário, em aceitá-los de acordo com a sua especificidade própria, proporcionando-lhes os serviços da comunidade, que contribuiu para desenvolver as suas potencialidades, de modo a que o seu comportamento se aproximou dos modelos considerados “normais”.
domingo, 21 de novembro de 2010
3º Encontro da Pessoa Excepcional
JORNAL AVEZINHA - 18-11-10
Sensibilizar a comunidade para questões importantes
O 3º Encontro da Pessoa Excepcional do Algare, desta vez realizado no Auditório Municipal de Albufeira em vez do EMA – Espaço Multiusos , reuniu mais de uma centena de participantes e convidados que surgiram com evidente interesse o que foi dito pelos palestrantes. O Encontro teve como principal objectivo sensibilizar a comunidade e fazê-la reflectir sobre questões relacionadas com as crianças, jovens e adultos com deficiência ou necessidades especiais.A abrir o Encontro Nuno Neto, Presidente da APEXA deu as boas vindas, numa sessão de abertura que contou com a participação de Rui Lourenço, Director da ARS, Ana Passos, Adjunta da Governadora Civil de Faro, Luís Correia, Director Regional da Educação do Algarve e Desidério Silva, Presidente da Câmara Municipal de Albufeira.
Ainda nesta primeira parte foram apresentados novos projectos da APEXA e Filomena Rosa, Coordenadora da Educação Especial da DREALG falou sobre Educação Especial – Adequação do processo educativo, um direito dos alunos com necessidades educativas especiais.
A Educação Sexual para Crianças Especiais foi o tema que suscitou mais interesse pela forma como a sexóloga Vânia Beliz apresentou os assuntos ainda considerados como tabus. A jovem psicóloga prendeu a assistência fazendo esquecer que a hora do almoço já tinha passado.
A 2ª parte, iniciada um pouco mais tarde, teve como primeiro tema o uso das tecnologias de apoio em crianças com problemas graves de comunicação, tendo como palestrante Anabela Santos, Professora Auxiliar do Instituto de Educação da Universidade do Minho.
CIF – Classificação Internacional da Funcionalidade foi o tema que se seguiu a cargo da Ana Paula Fontes, fisioterapeuta que é professora da Universidade do Algarve.
O último tema teve como palestrantes as terapeutas ocupacionais Paula Serrano, Cira de Luque e Ana Luís do Carmo e versou a Integração Sensorial na Educação Especial.
Depois da sessão de encerramento por Nuno Neto foram entregues os certificados aos participantes e algumas lembranças.
Houve uma grande adesão
Nuno Neto, presidente da direcção da APEXA começou por nos dizer que neste encontro houve uma adesão maior. “Tivemos cerca de cem inscrições que com os convidados ultrapassou os 120.
Nos palestrantes houve uma diversidade muito grande com temas sobre a Educação Especial. Veio a Dr. Filomena Rosa falar sobre o apoio ao ensino especial e como os pais devem reagir e falar com os professores.
Veio também a Drª Vânia Beliz que falou sobre sexologia e ainda a Drª Ana Paula Fontes que falou sobre a Educação Especial.
Penso que Albufeira como uma cidade educadora foi importante este encontro numa altura em que se fala muito sobre a eclosão, explicar aos professores e pais os cuidados a ter com o ensino especial.
Há uma maior aceitação mas temos que perceber que nem todos os deficientes têm o mesmo comportamento. Uns estão atentos nas aulas e outros não são assim. É bom entender que há alguns meninos que devem ter mais apoio que outros.
A nível da sociedade há uma maior compreensão nesta problemática.
Penso que cada vez mais porque esta nova geração olha de outro modo para estas crianças. Cada vez mais a APEXA tem que trabalhar nesta área da deficiência. Foi para isso que foi criada dando o suporte às famílias e às pessoas que caem numa cadeira de rodas ou noutra deficiência qualquer”.
Quanto à exiguidade das instalações disse que existem soluções: “Está toda a gente de parabéns porque quando a APEXA bate à porta a pedir um apoio de cedência de espaço todos dão um sinal positivo.
Temos como exemplo a Casa do Povo de Algoz e a freguesia de Ferreiras”.
Quanto às perspectivas de aumentar as instalações na Guia afirmou: “Foi chumbado pela EN 125 e estamos a rever o processo vamos analisar melhor para ver se conseguimos fazer qualquer coisa atrás da Escola Primária de Valverde. Espaço existe agora temos que esperar no futuro como será”.
sábado, 20 de novembro de 2010
APRESENTAÇÃO DO MANIFESTO 18.11.2010 “INVESTIR NA EDUCAÇÃO NÃO É UMA DESPESA!”
Conferência de Imprensa – Intervenção SNP
A comunidade educativa e a sociedade, em geral, assim como vários estudos nacionais e internacionais, têm reconhecido a importância e a eficácia do trabalho do psicólogo na escola.
Neste momento, em Portugal, a engrossar o número de psicólogos desempregados, estão cerca de 340 psicólogos desempregados que
estiveram a trabalhar em escolas até 31 de Agosto, alguns há 2, 3 e mesmo 13 anos – ou seja, desde o último concurso para o ingresso na carreira que foi em 1997!
Nestes cerca de 300 Agrupamentos sem psicólogo, actualmente não é assegurada a Orientação Vocacional, a avaliação e o acompanhamento psicopedagógico (por ex. dos alunos com NEE), não há resposta aos casos novos sinalizados nem aos já acompanhados…
Mesmo que os 200 psicólogos “prometidos” pelo Ministério da Educação (que indiciam já um corte de 50% em relação ao ano anterior) sejam contratados (uma vez que até ao momento não abriu nenhum concurso), o rácio de psicólogo por aluno continua a ser 5 vezes superior ao aconselhado (1 psicólogo por 400 alunos). Não chega a ser um psicólogo por agrupamento. Estamos a viver um retrocesso!
Neste momento há psicólogos responsáveis por um Concelho inteiro, o que significa, por exemplo, 30 escolas, 3000 alunos. Como
poderá conhecer, apoiar, dar respostas de qualidade às necessidades destes alunos, professores, encarregados de educação?
Este ano foram colocados nas escolas cerca de uma centena de estagiários PEPAC (Programa de Estágios Profissionais da Administração Pública) que foram, em alguns casos, substituir psicólogos contratados com anos de experiência, impossibilitando a continuidade do trabalho desenvolvido, estando nas escolas, em algumas situações, sem supervisão e acompanhamento necessário à realização de um estágio!
É importante lembrar que a nossa intervenção se baseia muito no estabelecimento de relações com os alunos, professores, encarregados de educação e de colaboração com a comunidade… relações estas que vão sendo construídas. Para isso é preciso tempo, disponibilidade, espaço, condições… para que este possa ser um serviço de qualidade.
Os sucessivos governos apresentam argumentos para o contínuo desinvestimento… Face a estes argumentos a nossa resposta é que a única coisa que é mais cara do que a educação é educação nenhuma. Não é assim que Portugal vai conseguir sair da cauda da Europa…!
O SNP considera que a aposta, sobretudo num momento de crise, deve ser na prevenção e na intervenção precoce, sendo a escola um meio privilegiado para isso.
Preocupa-nos muito o impacto que estes cortes terão na vida dos nossos alunos, famílias e profissionais das nossas escolas que deveriam ser de qualidade e para todos!
Inês Faria
Sindicato Nacional dos Psicólogos
EVOLUÇÃO CONCEPTUAL DEFICIÊNCIA
No decorrer da existência humana, a perspectiva social em relação às pessoas com deficiência, nem sempre foi a mesma, sofrendo alterações em paralelo com a evolução das necessidades do ser humano e à própria organização das sociedades.
Nos anos 60 na população deficiente começaram ser introduzidas novas práticas e dadas novas respostas, nomeadamente: à mobilidade das pessoas, o alargamento da escolaridade obrigatória, a multiplicidade e diversidade de crianças.
Emerge a necessidade de encontrar soluções em relação a muitas situações de crianças com deficiência e respostas que promovam o sucesso para todos os alunos da escola.
Assim a evolução conceptual da deficiência, segundo Jimenez (1997), pode dividir-se em três épocas: A primeira considerada pré-histórica que engloba as sociedades primitivas, prolongando-se até à Idade Média, onde o indivíduo portador de deficiência era “olhado” com superstição e malignidade; A segunda, onde emerge a ideia de que os deficientes são pessoas a quem é preciso prestar assistência; A terceira, corresponde à época actual, onde o conceito de deficiência desenvolve-se perspectivado em função de uma sociedade, que ideologicamente se afirma como sendo inclusiva.
A evolução conceptual da deficiência predomina o facto de as pessoas se inserirem em contextos e sistemas ideo-politicos, onde certos factores podem ser vistos ou não como desvios.
A concepção de Fernandes (2002) define que os conceitos de norma e normalidade, são socialmente estabelecidos pela maioria, representada pelo conjunto de indivíduos. É esta maioria que estabelece as normas, entendidas estas, como aquilo que observa com mais frequência e com as quais cada indivíduo será contrastado, derivando daí que os indivíduos resultem classificados e etiquetados como normais ou anormais.
O processo de integração teve como objectivo enquadrar as problemáticas específicas e as necessidades de aprendizagens, a nível físico, funcional, social, cognitivo e emocional, procurando “normalizar” o indivíduo em função das suas necessidades e diferenças.
Assim resultam determinações que constituem formas para combater as atitudes discrimatórias, criando comunidades abertas e solidárias, numa perspectiva de sociedade inclusiva, cuja meta é a educação para todos.
Por Manuel Ferreira 20-11-10
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