segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Educação - Tudo o que corre mal nas aulas cabe no blogue das escolas públicas

Educação



Tudo o que corre mal nas aulas cabe no blogue das escolas públicas


Publicado em 18 de Outubro de 2010
 
Pais e professores aderem à campanha do Movimento Escola Pública e denunciam turmas sobrelotadas, alunos sem professores ou escolas sem psicólogos


Maria Alberta é uma professora aflita. Tem quase 100 alunos nas suas turmas de Filosofia e não faz ideia onde arranjar tempo para corrigir os trabalhos de todos e acompanhar individualmente cada um dos adolescentes. Carlos Marques é um professor confuso. Ficou colocado na Secundária Rafael Bordalo Pinheiro, nas Caldas da Rainha, para dar aulas de Contabilidade, mas não tem habilitações para isso. Enquanto aguarda que lhe resolvam o problema, há duas turmas sem aulas há quase um mês. Miguel Martinho é um professor angustiado. Dá aulas de Educação Musical na Escola Básica 2+3 Piscinas, em Lisboa, e muitas vezes não tem instrumentos musicais nem um quadro pautado para ensinar o dó-ré-mi.

São queixas na primeira pessoa. Pais, professores, alunos ou funcionários contam tudo o que corre mal nas escolas. Esse é o desafio que o Movimento Escola Pública (MEP) lançou com a campanha "Não Fiques Calado". A iniciativa está só no início, mas todos os dias chegam relatos de docentes ou de encarregados de educação que querem mostrar o que está errado no ensino público.
É o caso da professora Fátima Gomes que, todos os dias, tem a mesma dúvida: como é que a Secundária de Barcelos com mais de 1200 estudantes não contratou sequer um psicólogo? No outro canto do país, Cláudia Correia é uma mãe ainda à procura de respostas. As aulas já começaram há um mês e, na Escola Básica de Montenegro (Faro), faltam professores para assegurar as actividades de enriquecimento curricular, animadores socioculturais para ocupar os tempos livres das crianças ou computadores para alunos e professores usarem na sala de aula.
Queixas para ler online Turmas que ultrapassam o número legal de alunos, agrupamentos sem psicólogos, alunos com necessidades especiais sem acompanhamento, escolas onde faltam cobertura para os dias de chuva são as denúncias mais recorrentes que qualquer um pode ler no site movimentoescolapublica.blogspot.com.
O MEP promete fazer tudo para que as queixas não caiam no vazio. E por isso vai acompanhar todos os casos que vão chegando ao seu e-mail movimentoescolapublica@gmail.com. "O nosso objectivo passa por prestar apoio a todos que denunciam as ilegalidades e, se for caso disso, fazer com que as denúncias cheguem ao conhecimento do Ministério da Educação", explica o coordenador da campanha Miguel Reis.
Mais do que alertar para as falhas que ainda persistem desde o início das aulas, o Movimento Escola Pública quer demonstrar que sem recursos as escolas públicas não podem prestar um ensino de qualidade: "A própria ministra da Educação anuncia metas de aprendizagem, mas depois não há mais financiamento para cumprir esses objectivos. A escola pública precisa de meios para apoiar os alunos", critica Miguel Reis.
Trata-se, portanto, de um protesto que não pretende ser "só mais um protesto", avisa o coordenador da campanha: "Não queremos apenas criticar. Queremos sobretudo demonstrar que por detrás dessas críticas há alunos, professores e pais, que apesar de terem o direito a um ensino de qualidade, estão ainda muito longe de conquistarem a escola que merecem", remata.

sábado, 9 de outubro de 2010

Governo vai admitir 200 psicólogos



Governo vai admitir 200 psicólogos

O Governo já aprovou o despacho que autoriza as escolas a contratarem 200 psicólogos - garantiu ontem, quinta-feira, o secretário de Estado da Educação, no Parlamento. A ministra manteve silêncio sobre o concurso de afectação de professores no próximo ano.

Face ao congelamento de novas admissões na Função Pública, o Governo vai realizar o concurso de afectação de professores em 2011? Foi uma das perguntas mais repetidas ontem pela Oposição, durante a interpelação ao Governo suscitada pelo CDS-PP.
A antecipação do concurso para 2011 constava do acordo assinado com os sindicatos, em Janeiro. Em Abril, depois de o Parlamento aprovar a resolução do CDS - com os votos favoráveis do PS - que recomendava a integração nos quadros dos professores contratados há mais de dez anos, Isabel Alçada reafirmou o compromisso de realizar o concurso, mas ontem não proferiu uma palavra sobre o assunto.
A interpelação não teve aliás debate. A equipa ministerial - ajudada pelo ministro dos Assuntos Parlamentares que interveio no final - levou números sobre a cobertura do pré-escolar, inscrições e certificações do programa Novas Oportunidades ou construção de centros escolares que não correspondiam às perguntas dos deputados.
Além do concurso, a Oposição queria saber quais os impactos dos cortes orçamentais na Educação, se haverá redução do número de beneficiários na Acção Social Escolar, quantos professores, auxiliares e psicólogos faltam nas escolas e como o Governo irá suprir essas "carências".
Coube ao secretário de Estado Adjunto da Educação a resposta. Alexandre Ventura confirmou já ter assinado - com os secretários de Estado das Finanças e da Administração Pública - o despacho que autoriza as escolas a contratarem 200 psicólogos este ano lectivo, sendo que, garantiu, já estão em serviço 400 psicólogos na Educação para a Saúde e 250 nos centros Novas Oportunidades.
Quanto à falta de professores, anunciou o governante, faltam colocar 258 docentes pela bolsa de recrutamento e 145 ao nível da contratação de escola.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Psicólogos entregam petição no Parlamento


Psicólogos entregam petição no Parlamento

00h55m



O Grupo de Profissionais de Psicólogos em Contexto Escolar (Psiscolas) enviou ontem ao Parlamento a petição que defende a "contratação efectiva" de psicólogos pelas escolas. Em menos de uma semana o grupo conseguiu quase nove mil assinaturas.

O texto foi colocado on-line dia 29, à noite, pelo Psiscolas e ontem tinha quase nove mil signatários - em menos de três dias, a petição conseguiu ultrapassar as cinco mil necessárias para impor o debate parlamentar. O grupo espera agora pela convocação da Comissão Parlamentar de Educação para ser ouvido.
A expectativa, explicou ao JN Pedro Teixeira, é que a Oposição "possa desbloquear, até ao final do ano", pelo menos, "as vagas que estavam abertas", no ano passado. Depois, será retomada a luta pela criação de uma carreira no sistema de ensino.
As escolas, recorde-se, não podem renovar os contratos com os psicólogos escolares sem a publicação de um despacho conjunto dos ministérios da Educação e Finanças, que fixa "a quota anual de contratos a celebrar" e que ainda não foi publicado. Em consequência, calcula o psiscolas, há serviços de psicologia e orientação fechados em cerca de 300 agrupamentos - o que a uma média de 1200 a 1500 alunos por agrupamento, significa que entre 360 a 450 mil alunos podem ter perdido o apoio dos psicólogos escolares.
Hoje o grupo reúne com o presidente da Confederação Nacional de pais (Confap), em Vila Nova de Gaia; ontem reuniu em Lisboa para decidir novas acções de luta.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Bastonário estima que 200 psicólogos continuem à espera de colocação nas escolas



Telmo Batista .
Bastonário da Ordem dos Psicólogos
 
Educação



Bastonário estima que 200 psicólogos continuem à espera de colocação nas escolas


06.10.2010 - 14:51 Por Lusa

Mais de 200 psicólogos que desempenharam funções em contexto escolar continuam sem ser colocados nos estabelecimentos de ensino, comprometendo o trabalho anteriormente desenvolvido e o sucesso escolar de muitos alunos, denunciou hoje o bastonário da Ordem dos Psicólogos.
O trabalho destes profissionais “contribui para o sucesso escolar”, pelo que o atraso do Ministério da Educação em colocar os psicólogos nas escolas, “prejudica a qualidade de trabalho” e “contradiz a ideia de contribuir para o sucesso escolar”, afirmou Telmo Baptista. “É um investimento que não está a ser contemplado, um desperdício do trabalho realizado, porque é um trabalho de continuidade”, argumentou.

Segundo o psicólogo, é “preciso preparar todo o ano lectivo, fazer o despiste de situações problemáticas, fazer relatórios, trabalhar a adaptação à transição escolar ou planear estratégias de estudo”. “Tudo isto se faz com tempo, com preparação. Este atraso compromete as indicações e desejos do próprio Governo”, considerou, explicando que os psicólogos nas escolas trabalham com os alunos, mas também com os professores, a comunidade escolar e os pais.
Telmo Baptista disse que há um intervalo de tempo por causa das questões contratuais, mas que este ano se estão a estender e a atrasar de uma forma como nunca aconteceu em mais de dez anos de trabalho dos psicólogos nas escolas.

“É preciso intervenções em momentos específicos, é importante estarem na escola a tempo para intervirem no momento, pois só assim se resolvem muitos problemas que têm tendência a avolumar-se, como é o caso do bullying”, especificou o bastonário. No actual contexto, Telmo Baptista diz não perceber os “objectivos para as escolas”, já que a “escola inclusiva se faz com a presença de psicólogos”.

CRIANÇAS NEE

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Eugénio, o génio das palavras - Versão 2


O Eugénio é um agente de software que funciona no ambiente Microsoft Windows para sugerir palavras que completem o texto que está a ser editado. O Eugénio analisa a vizinhança do cursor e sugere um número configurável de palavras que, na sua opinião, são mais relevantes no contexto. Este agente foi concebido para acelerar o processo de escrita a pessoas com limitações motoras. O programa foi desenvolvido em colaboração entre a Escola Superior de Tecnolgia e Gestão (ESTIG) de Beja, o Laboratório de Sistemas de Língua Falada (L²F) do INESC ID e o Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral de Beja (CPCB). A utilização do programa é gratuita para uso particular.

http://www.l2f.inesc-id.pt/~lco/eugenio/eugenio.zip

PSICOLOGO EDUCACIONAL


SITE CADIN

A Psicologia Educacional é um ramo da psicologia dedicado às problemáticas da educação e do processo ensino-aprendizagem de crianças e adultos. Enquanto ciência, a Psicologia Educacional centra-se no estudo dos mecanismos de aprendizagem e na eficácia das estratégias educacionais usadas em contexto escolar, bem como, no desenvolvimento de um projecto educativo adequado.

O trabalho do psicólogo educacional é desenvolvido em colaboração com os educadores (professores e pais) no sentido de tornar o processo ensino-aprendizagem mais efectivo. Desta forma, o psicólogo educacional tem um papel importante na avaliação e desenvolvimento de um plano de intervenção para crianças com necessidades educativas especiais - NEE, nomeadamente, dificuldades de aprendizagem específicas (p.e. dislexia, disortografia, etc.), perturbações comportamentais (p.e. perturbação de hiperactividade e défice de atenção) ou perturbações emocionais (p.e. ansiedade de desempenho, auto-estima ou auto-conceito diminuídos).
Neste processo torna-se fundamental ter em conta as características individuais das crianças (os seus interesses, competências, dificuldades e necessidades), por forma a viabilizar a readaptação da instituição educativa às necessidades educativas especiais da criança.
Com o objectivo de potenciar o sucesso na aprendizagem são utilizadas na intervenção várias as estratégias, nomeadamente: treinos de auto-controlo e auto-instrução, tomada de decisão, competências de planeamento, treino de competências para lidar com sentimentos, desenvolvimento das capacidades de autonomia e de motivação para o contexto escolar e ainda métodos e hábitos de estudo.

domingo, 3 de outubro de 2010

As Metas no Ensino Básico

Publicado a 30 de Setembro de 2010 -Digidc
As Metas no Ensino Básico

O Ensino Básico no actual Sistema Educativo Português incorpora os 1.º 2.º e 3.º Ciclos, constituindo o que a Lei de Bases na sua versão inicial (Lei 48/86, de 14 de Outubro) estabeleceu como a formação básica do cidadão, aspecto reafirmado nas alterações subsequentes a esta Lei (incluindo a última alteração constante da Lei 49/2005, de 30 de Agosto), e independentemente do facto de a escolaridade obrigatória se estender já para além desses limites. Assume-se ainda a Educação Pré-Escolar como uma primeira etapa desta Educação Básica, em que às crianças é garantido o conjunto de ambientes formativos e socializantes e as aprendizagens iniciadoras e sustentadoras do seu desenvolvimento harmonioso e da sua inserção no mundo social e no universo do conhecimento e da cultura que as rodeia.


1.º Ciclo

Em termos curriculares, e dado que actualmente a maioria das crianças frequentou a Educação Pré-Escolar, é no 1.º Ciclo que se desenvolvem e sistematizam as aprendizagens que, num dado momento histórico, a sociedade considera como a base fundacional para todas as aprendizagens futuras – na verdade, as aprendizagens correspondentes ao que poderíamos chamar uma educação de base, traduzida no currículo respectivo. É no 1.º Ciclo que se consolida e formaliza a aprendizagem das literacias, visando o domínio e o uso dos vários códigos linguísticos (a língua materna, mas também as linguagens matemática, artísticas, etc.); é também neste Ciclo que se estruturam as bases do conhecimento científico, tecnológico e cultural, isto é, as bases fundamentais para a compreensão do mundo, a inserção na sociedade e a entrada na comunidade do saber.

Esses conhecimentos estruturantes, solidamente adquiridos, são as fundações em que assentará o conhecimento específico de cada disciplina a desenvolver nos Ciclos seguintes e é necessário que, na sua abordagem inicial, se respeite a especificidade e o rigor próprios de cada área do saber. No entanto, as características do desenvolvimento e da forma de apreensão do real, nesta faixa etária, justificam uma organização do ensino e da aprendizagem que mobilize de forma integrada esses conhecimentos. A organização e gestão curricular integrada que este Ciclo de escolaridade requer não implica, pois, a diluição dos conhecimentos disciplinares específicos, mas a sua mobilização de forma inter-relacionada face a uma dada situação ou problema, através da concepção estratégica de sequências de aprendizagem dotadas de intencionalidade pedagógica.

A monodocência, para além de permitir a criação de uma relação estável da criança desta faixa etária com um adulto de referência, cria as condições para a gestão integrada do currículo neste Ciclo de escolaridade (embora por si só, não garanta essa integração). Por outro lado, a preparação para uma transição equilibrada para a pluridocência e a progressiva especialização dos saberes justificam situações de coadjuvação neste nível de ensino, mantendo-se o professor da turma com a responsabilidade de coordenar e gerir globalmente o currículo.

2.º Ciclo

No 2.º Ciclo, numa lógica de articulação vertical, estabelecem-se no currículo áreas do saber já mais específicas mas, no geral, integradoras de mais do que um saber disciplinar. Pretende-se neste Ciclo gerar a gradual percepção da especialidade dos conhecimentos, mas acentuando a sua integração em unidades curriculares que visibilizem a construção complementar do saber. Por isso se preconiza, embora a prática contradiga muitas vezes o legislado, que a distribuição dos docentes seja por áreas, sempre que possível, e se defende a importância de uma gestão curricular articulada horizontalmente, liderada pelo Director de cada Turma .

3º Ciclo

O mesmo princípio da gestão horizontal das aprendizagens curriculares das diferentes disciplinas permanece pertinente nos níveis de ensino subsequentes, mas no 3 º Ciclo reforça-se a abordagem disciplinar especializada, de modo a garantir o aprofundamento e o rigor das diferentes aquisições do conhecimento científico e cultural, sem prejuízo da necessidade de as equipas de professores trabalharem a especificidade dos saberes, a par do seu carácter complementar, face ao conhecimento e à cultura, e desenvolverem em conjunto a capacidade de interpretação da realidade em que os alunos vivem e agem como cidadãos. O 3º Ciclo orienta-se assim, na linha das tendências curriculares dominantes para este nível de ensino no conjunto dos países do mundo ocidental, para a consolidação e aprofundamento de conhecimentos, métodos e competências que permitam o prosseguimento e aprofundamento de estudos e a inserção em percursos de vida activa.

Notas Finais

Considera-se da maior importância para a qualidade do ensino e da aprendizagem que os professores e educadores de cada nível e/ou ciclo analisem as metas que antecedem e as que dão continuidade à aprendizagem dos alunos num dado momento, tendo em conta, respectivamente, os ciclos ou níveis anteriores e seguintes àquele em que trabalham. A operacionalização das Metas de Aprendizagem permite e incentiva a consideração dessa indispensável visão vertical da progressão da aprendizagem dos alunos ao longo do currículo.

As Metas na Educação Pré-Escolar

Publicado a 30 de Setembro de 2010 -Digidc


As Metas na Educação Pré-Escolar

Ao definir metas de aprendizagem para as diferentes áreas e disciplinas dos três ciclos do ensino básico, considerou-se necessário enunciar também as aprendizagens que as crianças deverão ter realizado no final da educação pré-escolar, reconhecida “como primeira etapa da educação básica no processo de educação ao longo da vida”.


Sendo que a educação pré-escolar é já frequentada por cerca de 90% das crianças, no ano anterior ao ingresso na escolaridade básica, mas que não tem carácter obrigatório, nem abrange todas as crianças a partir dos 3 anos, pareceu desejável enunciar apenas metas finais, não estabelecendo metas intermédias que, no 1.º, 2.º e 3.º ciclos, definem a progressão prevista.

A definição de metas finais para a educação pré-escolar, contribui para esclarecer e explicitar as “condições favoráveis para o sucesso escolar” indicadas nas Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar, facultando um referencial comum que será útil aos educadores de infância, para planearem processos, estratégias e modos de progressão de forma a que todas as crianças possam ter realizado essas aprendizagens antes de entrarem para o 1.º ciclo. Não se pretende, porém, que esgotem ou limitem as oportunidades e experiências de aprendizagem, que podem e devem ser proporcionadas no jardim-de-infância e que exigem uma intervenção intencional do educador.

A eventual não consecução das metas para a educação pré-escolar não pode, no entanto, constituir entrave à entrada no 1.º ciclo. Poderão, sim, constituir um instrumento facilitador do diálogo entre educadores e professores do 1º ciclo, nomeadamente os que recebem o primeiro ano, a quem competirá dar seguimento às aprendizagens realizadas ou se, por qualquer razão, inclusive no caso das crianças que não tenham beneficiado de educação pré-escolar, as metas não tiveram sido alcançadas, assegurar que isso aconteça. Ao situarem as aprendizagens que constituem as bases de novos conhecimentos a desenvolver no 1.º ciclo, as metas para o final da educação pré-escolar são, assim, úteis ao trabalho dos professores do 1.º ciclo.

Poderão, finalmente, apoiar e esclarecer o diálogo com pais/encarregados de educação e a sua participação, bem como de outros adultos com responsabilidades na educação das crianças, que poderão ter acesso a um conjunto de aprendizagens que são importantes para o seu progresso educativo e escolar, compreendendo melhor o que as crianças aprendem e devem saber no final da educação pré-escolar, apoiando essas aprendizagens em situações informais do quotidiano.

Organização e Estrutura das Metas

Baseando-se nas Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar, as metas de aprendizagem estão globalmente estruturadas pelas áreas de conteúdo aí enunciadas, mantendo a mesma designação. No entanto, a sua apresentação e organização interna têm algumas especificidades, ao adoptar, nas diferentes áreas, os grandes domínios definidos para todo o ensino básico e ao diferenciar alguns conteúdos que estão menos destacados nas Orientações Curriculares. Esta reorganização decorre da opção, que é comum à definição das metas para todo o ensino básico, de estabelecer uma sequência das aprendizagens que, neste caso, visa particularmente facilitar a continuidade entre a educação pré-escolar e o ensino básico.

Importa acrescentar que, se é obviamente necessário definir aprendizagens a realizar em cada área, não se pode esquecer que na prática dos jardins-de-infância se deve procurar uma construção articulada do saber, em que as áreas devem ser abordadas de uma forma globalizante e integrada. Este entendimento surge, aliás, nas aprendizagens definidas para algumas áreas, como será explicitado a seguir, na sua apresentação.

As áreas em que estas aprendizagens estão organizadas são as seguintes:

■Formação Pessoal e Social – esta área é apenas contemplada na educação pré-escolar dada a sua importância neste nível educativo, em que as crianças têm oportunidade de participar num grupo e de iniciar a aprendizagem de atitudes e valores que lhes permitam tornar-se cidadãos solidários e críticos. Nesta área, que tem continuidade nos outros ciclos enquanto educação para a cidadania, identificaram-se algumas aprendizagens globais que lhe são próprias. No entanto, tratando-se de uma área integradora, essas aprendizagens surgem muitas vezes também referidas, de modo mais específico em outras áreas, relacionadas com os seus conteúdos.

■Expressão e Comunicação – nesta área surgem separadamente os seus diferentes domínios. No domínio das Expressões são diferenciadas as suas diferentes vertentes: Motora, Plástica, Musical, Dramática, neste caso designada por Expressão Dramática/Teatro, tendo-se acrescentado a Dança que tem relações próximas com a Expressão Motora e Musical. As metas propostas para estas várias vertentes estão organizadas de acordo com domínios de aprendizagem que são comuns a todo o ensino artístico ao longo da escolaridade básica. Por seu turno, a estrutura da Expressão Motora corresponde à que é adoptada para a Educação Física Motora do 1º ciclo. Estas opções decorrem da intenção de progressão, articulação e continuidade que presidiu à elaboração destas metas.

■Linguagem Oral e Abordagem da Escrita – esta área corresponde à Língua Portuguesa nos outros ciclos e inclui não só as aprendizagens relativas à linguagem oral, mas também as relacionadas com compreensão do texto escrito lido pelo adulto, e ainda as que são indispensáveis para iniciar a aprendizagem formal da leitura e da escrita.

■Matemática – esta área contempla as aprendizagens fundamentais neste campo do conhecimento, distribuídas também pelos grandes domínios de aprendizagem que estruturam a aprendizagem da Matemática nos diferentes ciclos.

■Conhecimento do Mundo – esta área abarca o início das aprendizagens nas várias ciências naturais e humanas, tem continuidade no Estudo do Meio no 1º ciclo e inclui, tal como este, de forma integrada, o contributo de diferentes áreas científicas (Ciências Naturais, Geografia e História).

Acrescentou-se ainda:
■Tecnologias de Informação e Comunicação – uma área transversal a toda a educação básica e que, dada a sua importância actual, será, com vantagem, iniciada precocemente.

Com excepção da Formação Pessoal e Social, que é específica da educação pré-escolar, todas as metas para cada uma das outras áreas foram elaboradas, para a educação pré-escolar, pelas mesmas equipas de especialistas que estiveram encarregadas de as definir para as várias disciplinas dos diferentes ciclos do ensino básico e cujos nomes figuram na apresentação geral das metas. Estas equipas trabalharam em conjunto com a equipa central incumbida de apoiar a coordenação do projecto. No que diz respeito às metas para a educação pré-escolar, houve uma particular articulação de todas as equipas com Isabel Lopes da Silva da equipa central.
Notas finais

Não foram formuladas metas intermédias para a educação pré-escolar. Assim, as entradas em cada área estão organizadas por domínios que integram o conjunto das metas finais respectivas.